Cinco solas são frases latinas que definem princípios fundamentais da Reforma Protestante em contradição com os ensinamentos da Igreja Católica Romana. A palavra latina "sola" significa "somente"
em português. Os cinco solas sintetizam os credos teológicos básicos dos reformadores, pilares os quais creram
ser essenciais da vida e prática cristã. Todos os cinco implicitamente rejeitam
ou se contrapõe aos ensinamentos da então dominante Igreja Romana, a qual tinha
na mente dos reformadores usurpado atributos divinos ou qualidades para a Igreja e sua hierarquia, especialmente seu superior, o Papa.
Os cinco solas:
Sola fide (somente a fé)
Sola fide é o ensinamento de que a justificação (interpretada na
teologia protestante como "sendo declarada apenas por Deus") é
recebida somente pela fé, sem qualquer interferência ou necessidade de boas obras,
embora na teologia protestante clássica, a fé salvadora é sempre evidenciada,
mas não determinada, pelas boas obras. Alguns protestantes veem esta doutrina
como sendo o resumo da fórmula "fé produz justificação e boas obras"
e em contraste com a fórmula católica romana "fé e boas obras rendem
justificação". O argumento católico é baseado naEpístola de Tiago (Tiago 2:14–17):
“
|
De que
serve, meus irmãos, se alguém disser que tem fé se não tiver obras? Acaso
pode essa fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e necessitarem
do pão quotidiano, e algum de vós lhes disser: "Ide em paz,
aquentai-vos e saciai-vos," e não lhes derdes o que é
necessário para o corpo, que lhes aproveita? Assim também a fé, se não tiver
obras, é morta em si mesma.
|
”
|
É importante a comparação do que
católicos/protestantes entendem como "justificação": ambos concordam
que o termo invoca a comunicação dos méritos de Cristo para
com os pecadores, e não uma declaração de ausência de pecado. Lutero usou
a expressão simul justus et peccator ("ao mesmo tempo,
justo e pecador"). O Catolicismo Romano vê a justificação como uma
comunicação de vida de Deus ao ser humano,
limpando-o do pecado e transformando-o realmente em filho de Deus, de modo que
não é apenas uma declaração, mas a alma é tornada de
fato objetivamente justa.
A visão protestante da justificação é que ela é a
obra de Deus através dos meios da graça. A fé é a justiça de Deus, que é
realizada em nós através da palavra e dos sacramentos.
Lei e evangelho trabalham para matar o ego pecaminoso e para
realizar a nova criação dentro de nós. Esta nova criação dentro de nós é a fé
de Cristo. Se não temos essa fé, então somos ímpios.Indulgências,
ou orações não
acrescentam nada e nada são. Todos possuem algum tipo de fé (geralmente a fé em
si mesmos). Mas precisamos de Deus para destruir continuamente fé hipócrita e
substituí-la com a vida de Cristo. Precisamos da fé que vem de Deus através da
lei e do evangelho,
palavra, obras e sacramentos. No documento fundador da Reforma, as 95 teses,1 Lutero
diz que:
“
|
1 – Dizendo nosso
Senhor e Mestre Jesus Cristo: "Arrependei-vos..." (Mateus 4:17) certamente
quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.
95 – E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.(Atos 14:22). |
”
|
A verdadeira distinção, portanto, entre as visões
protestante e católica não é uma questão de "ser declarado
justo" versus "ser feito justo", mas sim o meio
pelo qual um é justificado. Na teologia católica obras de justiça são
consideradas meritórias para a salvação além da fé, enquanto que na teologia
protestante, obras de justiça são vistos como o resultado e evidência de uma
verdadeira justificação e regeneração que o crente recebeu somente pela fé. Os
meios eficazes reais pelos quais uma pessoa recebe a justificação são também
uma divisão fundamental entre a crença católica e protestante. Na teologia
católica, o meio pelo qual a justificação é aplicada para a alma é o sacramento
do batismo.
No batismo, mesmo das crianças, a graça da justificação esantificação são
"infundidas" na alma, tornando o destinatário justificado, mesmo antes que ele
exerça sua própria fé (ou mesmo no caso de uma criança que é batizada, antes
mesmo que ele tenha a capacidade de compreender conscientemente o Evangelho e
responder com fé). Na teologia católica, a fé não é um pré-requisito para a
justificação. Para os católicos, a função do batismo é "ex operere
operato" ou "por obra do ato", e, portanto, é o ato eficaz e
suficiente para trazer justificação. Na teologia protestante, no entanto, é
absolutamente necessária a fé do indivíduo e é por si mesma a resposta
eficiente e suficiente do indivíduo para os efeitos da justificação.
A doutrina Sola fide é às vezes
chamada de princípio
formal e material da teologia da Reforma, porque era a questão
doutrinal central para Martinho
Lutero e os outros reformadores. Lutero chamou de "doutrina
pela qual a igreja permanece ou cai" (latim: articulus
stantis et cadentis ecclesiae).
Sola
scriptura (somente
a Escritura)
Sola Scriptura é o ensinamento de que a Bíblia é
a única palavra autorizada e inspirada por Deus e é única fonte
para a doutrina cristã, sendo acessível a todos. Afirmar que a Bíblia não exige
interpretação fora de si mesma está em oposição direta aos ensinamentos das
tradições ortodoxa, ortodoxa
oriental, anglo-católica e católica
romana, que ensinam que a Bíblia só pode ser autenticamente
interpretada pela tradição católica. Na Igreja Católica, este
ensinamento é referido como o magistério da Igreja Católica, e incorporada
ao episcopado,
agregando os bispos da
Igreja, em união com o Papa.
Sola scriptura é às vezes chamada de princípio
formal da Reforma, uma vez que é a fonte e norma de princípio,
o material, o Evangelho de Jesus Cristo que
é recebido sola fide ("através da fé")sola gratia (por
favor de Deus, ou "graça"). O adjetivo (sola)
e o substantivo (scriptura)
estão no caso ablativo em vez do caso
nominativo para indicar que a Bíblia não está sozinha longe de
Deus, mas, sim, que é o instrumento de Deus pelo qual ele se revela para a
salvação pela fé em Cristo (Solus Christus). Como em Mateus 4:4
“
|
Mas Jesus
respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra
que sai da boca de Deus.
|
”
|
Solus
Christus (somente
Cristo)
Solus Christus ou Solo Christo é o
ensinamento de que Cristo é o único mediador entre Deus e a humanidade,
e que não há salvação através de nenhum outro (por isso, a frase é mostrada às
vezes em caso ablativo (Cristo somente/sozinho)
o que significa que a salvação é "somente por Cristo"). Ao rejeitar
todos os outros mediadores entre Deus e a humanidade, o luteranismo clássico
continua a honrar a memória da Virgem Maria e
de outros santos exemplares.
Este princípio rejeita o sacerdotismo, que é a
crença de que não existem sacramentos da igreja sem os serviços de sacerdotes ordenados por sucessão apostólica, sob a autoridade do papa.
Lutero pregou o "sacerdócio geral dos
batizados", que mais tarde foi modificado no luteranismo e na
teologia protestante clássica para "sacerdócio de todos os crentes",
negando o uso exclusivo do título de padre (latim: sacerdos)
para o clero.
Este princípio não nega a função do ministério sagrado para o qual está
comprometida a proclamação pública do Evangelho e da administração dos
sacramentos. Desta forma, Lutero em seu Catecismo Menor podia falar sobre
o papel de um "confessor" para conferir absolvição sacramental
a um penitente. A seção neste catecismo conhecido
como "O Gabinete das Chaves" (não escrita por Lutero, mas
acrescentada com a sua aprovação) identifica os chamados "ministros de
Cristo" como sendo os que exercem o ligar e desligar de absolvição e excomunhão através
do ministério da Lei e Evangelho. Esta é
definida na fórmula Luterana da santa absolvição: o "chamado e ordenado
servo da Palavra" perdoa pecados dos penitentes (fala as palavras do
perdão de Cristo: "Eu perdoo todos os seus pecados"), sem qualquer
adição de penitências ou satisfações e não como um intercessor ou
"sacerdote mediador", mas "em virtude da sua função como um
chamado e ordenado servo da Palavra" e "em lugar e pelo comando da
nosso Senhor Jesus Cristo".2 Nesta
tradição, a absolvição do penitente reconcilia-o com Deus diretamente, mediante
a fé no perdão de Cristo, em vez de ter o padre e a Igreja como mediadores
entre o este e Deus.
Sola gratia (somente a graça)
Sola gratia é o ensinamento de que salvação vem
por graça divina ou "favor imerecido"
apenas, e não como algo merecido pelo pecador.
Isto significa que a salvação é um dom imerecido de Deus
por causa de Jesus. Alguns[quem?] referem-se a ele
como um "débito" presente desde que os incrédulos viveram de tal
forma que perderam qualquer dom de Deus. Enquanto outros[quem?]afirmam que esta doutrina
é o oposto das "boas obras" e choca-se com alguns dos aspectos da
doutrina católica do mérito. É possível afirmar que, neste ponto, não está em
desacordo com o ensino católico romano, enquanto a doutrina de que a graça é
verdadeiramente sempre um dom gratuito de Deus e é realizada de acordo entre os
dois pontos de vista. A diferença na doutrina encontra-se principalmente em
dois fatos:
1º - Deus como o único ator na graça (em outras
palavras, que a graça é sempre eficaz sem qualquer cooperação pelo ser humano).
2º - O ser humano não pode, por qualquer ação da
sua parte, sob a influência da graça, cooperar com "mérito" para
obter maiores graças para si (esta seria doutrina da Igreja Católica Romana).
Esta doutrina declara o monergismo divino
na salvação: Deus age sozinho para salvar o pecador. A
responsabilidade para a salvação não repousa sobre o pecador em qualquer grau
de sinergiaou arminianismo.
O Luteranismo sustenta
que esta doutrina não deve ser mantida para a exclusão da gratia
universalis (que Deus deseja seriamente a salvação de todas as
pessoas).
Protestantes arminianos também podem reivindicar a
doutrina da sola gratia (mas a entendem de forma diferente) e,
geralmente, negam que o termo "sinergismo" seja apropriado para
descrever suas crenças. Arminianos acreditam que Deus salva somente pela graça
e não por mérito, mas o ser humano, habilitado pelo que é conhecido como graça preveniente, está habilitado pelo Espírito
Santo para entender o Evangelho e
responder na fé. Os arminianos acreditam que isto é compatível com a salvação
somente pela graça, uma vez que toda a salvação seja obtida pela graça.
Arminianos acreditam que o ser humano só é capaz de receber a salvação quando
levado primeiro a fazê-lo pela graça preveniente, que eles acreditam ser
distribuída a todos. Os arminianos, portanto, não rejeitaram a concepção
de sola gratia exposta pelos teólogos da Reforma.
Soli Deo gloria (glória somente a Deus)
Soli Deo gloria é o ensinamento de que toda
a glória é devida somente a Deus, pois a salvação é
realizada unicamente através de sua vontade e ação e não só da toda
suficiente expiação (ver:Paixão) de Jesus na cruz, mas também o dom da fé em que a
expiação, é criada no coração do crente pelo Espírito
Santo. Os reformadores acreditavam que os seres humanos, mesmo
santoscanonizados pela Igreja Católica Romana,
os papas e
a hierarquia eclesiástica não eram dignos da glória que lhes foi concedida,
isto é, não se deve exaltar tais pessoas por suas boas obras, mas sim louvar e
dar glória a Deus, que é o autor e santificador dessas
pessoas e suas boas obras. No entanto, como objetos de boa qualidade e raros,
devem ser homenageados e elogiados. Há um grande número de homens benevolentes
cujas imagens foram replicadas em pedra e expostos para a celebração do bem
estes fizeram para a raça humana.
Bons homens podem e devem ser honrados por causa da glória que deram a Deus, e
ao fazê-lo, ao mesmo tempo honramos a Deus por sua bondade em criá-los.



05:10
Unknown

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